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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Sentimentos no Papel | Não foi fácil, mas valeu a pena


E assim chega mais um mês. Metade do ano já passou, e sabem que mais? Tem valido a pena. Se foi fácil? Não, não foi nada fácil.
Não foi fácil começar o ano chateada com o Diogo, não foi nada fácil continuar a negar o meu sentimento por ele, vê-lo ter uma namorada, vê-lo acabar tudo com ela por causa de mim, não foi fácil continuar a mentir-lhe,
Não foi fácil aguentar todas as tentativas de me rebaixarem na escola, não foi fácil ouvir e engolir, não foi fácil controlar a raiva e não lhes bater em alguns momentos, não foi fácil saber que me gozavam e simplesmente tentar ignorar.
Não foi fácil ver as minhas notas descer, não foi fácil ter uma média inferior a 4, não foi fácil receber a minha primeira negativa, não foi fácil ver os contornos que as coisas tomaram.
Não foi fácil perceber que fumei alguns cigarros, não foi fácil perceber que me andava a baldar a algumas aulas, não foi fácil perceber que iam gozar ainda mais comigo, não foi fácil perceber que talvez me estivesse a destruir.
Não foi fácil admitir que precisava de ajuda, não foi fácil admitir que passei os últimos anos a esconder-me atrás de uma muralha indestrutível que não existia, não foi fácil ir à psicóloga na véspera de fazer 15 anos, não foi fácil ver que não tinha o apoio dos meus pais para lhes fazer frente, não foi fácil admitir que essa era uma batalha perdida.
Não foi fácil ver a minha madrinha voar para longe, não foi fácil perder a pessoa que mais apoio me deu nos últimos anos, nos piores momentos ela estava lá, ela entendia os maus momentos e abraçava-me.
Não foi fácil descobrir que tinha amiga à beira da morte, não foi fácil mentalizar-me de que leucemia mata apesar da cura, não foi fácil imprimir o horário dos autocarros para Lisboa e usá-lo todas as semanas durante um mês, não foi fácil dar a notícia perante toda a turma, e foi ainda mais difícil estar com ela e fingir que estava tudo bem. Não foi fácil, aliás, foi bastante difícil. Foi provavelmente o momento mais difícil de toda a minha vida.
Mas talvez tudo tenha valido a pena. Valeu a pena persistir, valeu a pena acreditar, valeu a pena pedir ajuda... mas custou, e muito, mas talvez 2015 esteja a ser melhor do que o julguei ao princípio.
Margarida

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Um Momento Inesquecível, Nicholas Sparks


London é um rapaz de 17 anos, rico e popular, com alguns vícios e maus hábitos. Juntamente com o seu amigo Eric, descrimina Jamie, uma simples rapariga filha do Reverendo da região de Beaufort. Tinha um estilo diferente das outras raparigas. Em vez de calças de ganga ou minissaia, Jamie preferia a sua saia por baixo do joelho em xadrez e a sua camisola castanha. A Bíblia era a sua melhor amiga, que a acompanhava para onde quer que fosse.
Obrigado a participar numa atividade extracurricular, London entra no elenco de um teatro cujo argumento fora escrito pelo pai de Jamie. A rapariga e London acabam por ser escolhidos para protagonizar a peça.
No decorrer dos ensaios, os dois jovens foram-se conhecendo, saindo… E, com a sua maneira simples, mas convincente, de falar, Jamie conseguiu integrar London num dos seus projetos. Ambos passaram a apoiar um orfanato e, progressivamente, foram-se apaixonando um pelo outro. Como vulgarmente se diz, o primeiro amor é inesquecível e London consegue transmitir bem este facto através desta história, narrada na primeira pessoa. Conta-nos, passo a passo, aquilo que um típico adolescente sente nas suas primeiras experiências inocentes, simples e puras.
Passado um mês, London declara todo o seu amor a Jamie, dizendo a célebre expressão que todas as mulheres gostariam de ouvir: “Amo-te”. Deparando-se com esta declaração, Jamie começa a chorar e acaba por lhe contar o seu maior segredo: está doente, com leucemia, e tem poucos meses de vida.
A dor instala-se, assim como o medo. Após se sentir impotente por não conseguir fazer nada para ajudar Jamie, London decide pedi-la em casamento. Esta aceita e, poucos dias antes da sua morte, casam-se. A dor e a saudade que sente por Jamie teimam em persistir no coração de London, que nos conta esta história 40 anos depois.

Li este livro há pouco tempo e tenho a dizer que me tocou bastante, Sobretudo porque quando o comecei a ler nem sabia que falava sobre leucemia... e fui apanhada desprevenida, e foi-me impossível não relembrar a Alice 1001 vezes enquanto o lia. Felizmente hoje em dia os tempos são outros e a leucemia tem cura... Soube que também já há filme deste livro, eu ainda não vi. Mas hei de ver. Deixo-vos algumas quotes e o trailler do filme.

Pelo que percebi do trailler o filme é um bocado diferente do filme,
mas afinal qual é o filme que é igual ao livro?!?

E como não achei a minha quote preferida, deixo-vos aqui.

A vida, aprendi, nunca é justa. Se se ensinasse alguma coisa nas escolas deveria ser isso.


Margarida

Sentimentos no Papel | Alice


Foi com tristeza que saí de casa com aquele horário na mala. Foi com tristeza que aquele autocarro apanhei. E foi ainda com mais tristeza que me consciencializei de que iria fazer aquela viagem mais vezes...
Saí do autocarro e entrei no IPO. Enquanto subi pelas escadas (para ganhar tempo) esculpi o melhor sorriso que pude na minha cara.
Entrei e falei com ela através da porta durante aproximadamente 1h... até que chegou mais gente e eu saí. Saí para dar a vez, e saí também porque não aguentava, pois apesar de forte, esgotam-se-me as energias... E estou de regresso a casa, completamente esgotada.
E é nestes momentos que me apercebo o quão eu preferia ter estado a fazer uma, duas, até três aulas de educação física (que detesto) que me cansaria menos.
Ninguém merece, mas há quem não mereça mesmo, e tu, Alice, não merecias mesmo.
Margarida

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Preciso Coragem


Ai... desejem-me muita coragem que amanhã vou ao IPO. Como sabem vou ver aquela minha amiga que está com leucemia lá internada... Ela faz amanhã anos... e nem sei! Ela está em isolamento, só a vamos poder ver através de um vidro, e ela vai chorar muito, e vamos-lhe levar uma camisola assinada por toda a turma, um postal assinado pelos professores, um postal de uma outra turma, e um filme que gravámos hoje da turma a cantar-lhe os parabéns. Vai ser difícil. Tenho noção disso. E tenho tanto medo de não conseguir ser forte o suficiente... Enfim, vou ter de vestir a pele de miúda louca e divertida e tentar animá-la. Vai ser difícil mas eu sei que vou conseguir.
Eu TENHO que conseguir!
Margarida

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Leucemia


Ainda não vos disse nada... mas um dos assuntos que me anda a atormentar é o facto de ter uma amiga internada no IPO com leucemia.
Sim, 14 anos e uma leucemia.
Dos tipos mais raros, mais galopantes e mais mortais... enfim, só boas notícias (sentiram o sarcasmo?)
E a que parece é mesmo grave porque ela foi internada na 5f e no próprio dia começou a fazer o tratamento, e as pessoas costumam ter alguns dias para "engolir" a notícia e só iniciam os tratamentos alguns dias depois... Tem estado a fazer quimioterapia 24h por dia, mas tem reagido bem ao tratamento! Só que entretanto já teve de ir para o isolamento porque o nível de glóbulos brancos diminuiu imenso.
Sabem, ninguém merece, uma "criança" muito menos, mas ela não merecia de certeza. Sabem aquelas pessoas que estão sempre dispostas a ajudar os outros, que dão o seu melhor em tudo o que fazem... pessoas com o coração do tamanho do mundo?!? bem, ela é uma dessas pessoas...
Faz 15 anos na 6f e nem sequer a vamos poder ver...

E agora que disse isto vou tentar andar mais por cá e vou voltar de novo ao ativo.
Margarida