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domingo, 21 de junho de 2015

Deixa as Palavras Voarem | Cartas


Sei que já fiz uma participação esta semana, mas isto é algo que não poderia deixar de escrever, independentemente deste projeto, mas pareceu-me o momento apropriado... escrevo aqui uma carta para a Margarida de 2030... esta foi uma carta que escrevi no dia em que fiz 15 anos, para abrir 15 anos mais tarde. Espero que gostem.

Margarida 2030,
Escrevo-te hoje, naquele que foi um dos melhores dias da minha vida. Nunca pensei que fazer 15 anos fosse algo tão especial assim... mas foi, e prometi a mim mesma que de hoje em diante as coisas seriam diferentes. Sem choros, sem desistências, sem fraquezas. Aproveitar cada momento o melhor possível, rir sempre que possível, e viver com um sorriso na cara. Prometi a mim mesma, e a ti quenão perderia mais o meu tempo a fingir algo que não sou, a lidar com pessoas de quem não gosto, que não gostam de mim.
Mas e porque te escrevo? Bem, achei que daqui a 15 anos seria bom lembrar um pouco daquilo que prometi há 15 anos atrás. Lembrar que as coisas nem sempre foram más, que houve bons momentos que me deram força para erguer a cabeça e me tornar na mulher que tu és, mas nunca te esqueças que foram os maus momentos que te ensinaram e obrigaram a crescer.
Lembra-te dos passeios com o Diogo, lembra-te dos verões com a Salomé, lembra-te do quanto eu adoro andar a pé, lembra-te que a melhor forma de ignorar o mundo é com os fones nos ouvidos, lembra-te que não podes ser sempre um cubo de gelo, lembra-te que há sempre tempo para aquilo que consideras realmente importante, lembra-te que a maneira mais fácil de resolver as situações é substituindo o coração por uma pedra, mas nem sempre podes optar pelo caminho fácil, lembra-te de que não faz mal chorar quando apetece, lembra-te que depois de uma tempestade há sempre um arco íris, lembra-te de manter a alma jovem, lembra-te dos teus princípios, não os percas, mas acima de tudo lembra-te de sonhar.
Sonha. Sonha todas as horas de todos os dias. Mas não tires os pés do chão. Esforça-te e alcança os teus objetivos, não és menos que ninguém, garanto-te!
Diz às pessoas que gostas delas. Não tenhas medo, nunca é demais relembrar-lhes isso. Não tenhas medo de te apaixonar, é inevitável, vai acontecer, e admite-o. Acredita, tentei evitá-lo, e ainda tento, mas não é bom, não faz bem, e magoa. Magoa mais que qualquer outra coisa. Mantém contacto com aqueles que são importantes, não importa a distância. Por vezes um simples olá tem mais valor do que imaginas. Não hesites em abraçar aqueles de quem gostas.
Não menosprezes as tuas conquistas, é graças a ti que estás onde estás, tudo o que tens é fruto do teu trabalho, não deixes que te o tirem.
Mas há uma coisa principal, uma que é trivial à existência. Nunca te esqueças do teu objetivo: ser feliz! Procura a felicidade nas coisas mais simples: num nascer do sol, numa ribeira, no canto dos pássaros às 7h da tarde, o mar revoltado de Janeiro.
Sê feliz, casada ou solteira, com as amigas ou os filhos, em Portugal ou no estrangeiro, com um emprego de sonho ou no armazém do avô. Mas sê feliz, porque sem felicidade a vida resume-se apenas a uma miserável existência, a algo sem mais nenhum propósito que não a morte.
Margarida 2015

sábado, 20 de junho de 2015

Deixa as Palavras Voarem | Cartas


Cartas... no passado tão comuns, hoje tão raras... já não se escrevem cartas de amor, já não se recebem cartas dos amigos. Hoje já não se compram selos, não se fecham envelopes... hoje as únicas cartas que se recebem são cartas com contas para pagar, e outras com um propósito não muito diferente.
Já não se fazem coleções de selos nem se arquivam dossiers com as cartas recebidas (como vejo que a minha mãe tem).
Hoje há tantas outras maneiras de comunicar tão mais rápidas e práticas... que se perdeu o gosto pela escrita. Não aquela escrita que toda a gente escreve no facebook, e-mail, twitter... cheia de abreviaturas e erros, o mais sintetizado possível, com as palavras mais curtas e simples possíveis. Perdeu-se o gosto de simplesmente escrever algo com a alma... sentir o que se escreve, escrever o que se sente. E é por isso que faço questão de de vez em quando escrever cartas, escrevo com gosto, escrevo porque quero, escrevo o que sinto e sinto o que escrevo.
As cartas dão-nos a oportunidade de escrever com a alma. Dá à outra pessoa a oportunidade de ler e reler, de guardar e lembrar. Sentir o cheiro, a textura. Amarrotar, rasgar, queimar. Mas dá também a oportunidade de dobrar e guardar dentro daquela caixinha de coisas especiais. Acarta dá-nos a oportunidade de pensar e escrever o que sentimos, e esperar que quem a leia entenda o que sentimos, e compreendam e responda, ou não.
Margarida

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Deixa as Palavras Voarem | Tourada


Quando falamos em touradas normalmente todos ficam muito escandalizados e logo se lembram das típicas touradas espanholas a cavalo onde espetam o bicho todo e o matam no fim.
Mas esse não é o único tipo de touradas.
Provavelmente já toda a gente viu no YouTube as famosas touradas açorianas à corda.
Digo-vos: são bastante divertidas.
Magoados? Há sempre, mas com certeza não é o touro.
É amarrada uma corda ao pescoço do touro (enquanto ele ainda está dentro de uma caixa) e depois é largado numa rua. E depois as pessoas divertem-se a provocar e fugir do animal.
E é divertido. Divertido de se ver, e divertido de se participar.
Eu também sou um bocadinho contra a tourada espanhola, mas não tenho nada contra esta, aliás, quando vou a casa da minha avó nos Açores adoro ver, e fugir um bocadinho quando o touro vem para o fim da rua ahah

Deixo-vos um vídeo para verem bem o que é. Esta é mesmo na ilha da minha avó, mas só vale a pena ver a partir do minuto 4:50 um bocadinho.


Margarida

sábado, 9 de maio de 2015

Deixa as Palavras Voarem | Religião

Coexist
Religião.
Assunto polémico...
Há quem por ele morra, há quem por ele lute, há quem por ele fuja, há quem por ele se esconda, há quem por ele tema, há quem por ele dê a cara, há quem por ele mate...
E tudo assenta numa crença. Ou melhor, nas crenças de cada um.
Desde o início dos tempos que o ser humano teve a necessidade de criar um Deus, um culto, uma crença numa força superior ao próprio homem. Um arquétipo de perfeição.
Mas... com tantas religiões, Deuses, Deusas, cultos, tradições, haverá mesmo uma força superior ao homem? Não será Deus apenas mais uma invenção do ser humano?
Uma forma de tentar justificar os seus atos, de procurar força, de achar consolo.
Afinal as pessoas procuram que Deus (seja Ele quem for) os perdoe, ou procuram conseguir perdoar-se a si mesmas.
E para que é que Deus existe afinal? Para impedir que o ser humano perca o controlo da sua grandiosidade e se contenha com receio dos castigos de Deus? Serve para que o Homem tema uma força superior? Para que as famílias encontrem consolo na perda? Para alcançarmos a paz interior?
Eu não sei. Espero um dia conseguir entender. Conseguir descobrir. Conseguir-me sentir bem comigo mesma com ou sem a crença em Deus... E desejo o mesmo a toda a gente, quer acreditem no destino, no universo, em Deus, em Alá, no Buda... ou simplesmente em si mesmo e no seu poder de mudar o mundo.
Margarida