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domingo, 5 de julho de 2015

Carta para Alguém que julguei à primeira Impressão


Daniela,

Lembro-me das nossas primeiras aulas juntas... eras aquela miúda que chagava em cima da hora com o cabelo molhado (por causa da natação vim a saber depois), suada, com óculos grandes e cor de rosa, gorda... eras aquela miúda que me causava alguma repulsa, admito.
Com o passar do tempo, por seres mais velha e teres mais corpo mais rapidamente foste largada na 5ª Classe (a mais avançada) e assim passámos alguns anos sem nos ver.
Agora, rio-me quando me lembro desses tempos. Não sabes, nem nunca te o direi, mas quando cheguei e te vi há 3 anos atrás vi uma Daniela completamente diferente. Vi uma miúda que adora desporto, uma miúda que faz natação, futebol, ballet, anda na catequese e ainda arranja tempo para zumbar ao fim de semana. Uma miúda que se esforça imenso, dá o melhor de si, mesmo quando já todos desistiram. Uma miúda que passou pela fase do cor de rosa, que felizmente passou com a adolescência, sendo substituída pela repulsa pelo cor de rosa. E uma miúda que apesar de à partida não ser boa para ballet, por ser gorda, ter pernas pesadas, se esforça, e assim consegue ser a melhor bailarina que conheço, não só pelo que dança, mas sobretudo pela coragem e persistência que demonstra ao vencer todos os obstáculos que lhe são mostrados, porque vences os teus medos e os preconceitos dos que te veem.
E bem, que posso dizer? Criei esta maravilhosa amizade contigo. Uma que nem sabes o quanto significa para mim.
Eu ato-te a saia, tu ensinas-me os passos. Tu decoras as danças, eu ajudo-te com a matéria de 11º ano. Tu dizes que não gostas da coreografia, eu argumento que tem que ser mudada. Tu reclamas com as miúdas mais novas, e eu lembro-te que também sou mais nova. Tu queres-me abraçar, e eu fujo, porque continuas a suar que nem uma cascata... e bem, eu gosto muito de ti, mas abraços, só antes das aulas, e mesmo assim tem dias...
Margarida

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Carta para a Pessoa que mais partiu o meu Coração


Inês,

Foste o meu tudo. Agora não és nada. Aos 3 anos tornaste-te no meu tudo, nem sei bem como ou porquê, mas acredito que foi verdadeiro, afinal, quem mente assim em tão tenra idade? E continuei a acreditar ao longo dos anos. Era ingénua nessa altura. Agora que penso bem, tratavas-me mal. Mentias-me. Enganavas-me... ainda me lembro daquela vez em que fiquei quase uma hora à tua espera no recreio... nunca apareceste. Mas eu gostava de ti. E eu era tua amiga. Até àquele dia.
Até ao dia em que a tua mãe me ligou. Eu não tinha dito nada daquilo. Eu não seria nunca capaz de te fazer tal coisa. Mas tu disseste e a tua mãe acreditou. De um momento para o outro perdi a minha melhor amiga. De um momento percebi que nunca o tinhas sido. Senti-me enganada. Senti-me traída. Tinha 10 anos e achava que a nossa amizade era verdadeira. Afinal não.
Daí para a frente foram só desilusões. Mudaste. E mudaste-me. Hoje em dia não me apego às pessoas. E tenho que te agradecer. Agradeço-te por me teres magoado. Por me teres feito ver que infelizmente as pessoas não são o que pensamos, não são o que parecem. Obrigada, porque graças a ti nunca mais ninguém me magoou.
Mas gostava de um dia te encontrar. Gostava que visses que perdeste todos os teus amigos (que sei que perdeste) e que percebesses que os que tens te virarão as costas no dia em que precisares de ajuda. Sei que fui apenas a primeira de muitas pessoas que virias a magoar nos dois anos seguintes. Sei. Sei muita coisa. E gostava de te ver apenas para ter a certeza de que continuas igual. Para entenderes que com essa atitude não conseguirás nada na vida.
E aquilo de que continuo a sentir mais raiva, passados todos estes anos, é que te desejo tudo de bom na vida, espero que sejas muito feliz, que alcances o que desejas (embora saiba que não o vais conseguir com essa atitude).
Margarida

terça-feira, 26 de maio de 2015

Carta para alguém a quem quero contar tudo, mas tenho medo


Kika,

Mais que minha madrinha, mais que minha amiga, mais que uma companhia... uma irmã. Estiveste sempre aqui ao longo dos anos, e nem tens noção disso. Viste-me dar os meus primeiros passos, obrigaste-me a comer quando tinha que ser, foste a única que soube dos meus namorados, abraçaste-me quando as lágrimas eram muitas, deste-me força para continuar. Sempre estiveste lá, e nem tens noção disso.
Ainda me lembro o dia em que me encostaste à parede e me pediste que te contasse o que se passava. Lembro-me de me dizeres que tinhas lido o meu tumblr, e que tinhas percebido que as coisas não estavam bem... nesse momento pensei se te contava ou não. Pensei nisso durante todos os segundos da nossa conversa onde eu apenas te falava da superfície da minha ferida. Tive medo de te magoar. Tive medo que não compreendesses. E não te contei. Nunca te contei. A vontade era tanta... mas a coragem tão pouca.
E nunca te disse. E mesmo hoje, passado já mais de um ano tenho vontade de te contar. Mas agora já não é tempo. O problema já está resolvido, e tu já estás longe. Mais longe que nunca. A vida obrigou-te a voar para viver. A vida obrigou-te a partires para seres feliz. A vida afastou-nos. É a ordem natural da vida. Só tenho pena de nunca te ter dito, de nunca teres compreendido.
E enquanto escrevo esta carta choro. Choro porque sei que há a possibilidade remota de a leres, pois és a única que sabe que tenho um blog, és a única que já o viu, és a única que tem o link. És a única que o conhece, e és a única que sei que poderá ler isto e saber que é para ti. E porque ainda assim não te quero magoar com a verdade. Porque ainda assim acho que te preocupas demasiado comigo, e porque acho que não tenho esse direito.
E porque aconteça o que acontecer, se algum dia eu te contar, é simplesmente porque cheguei ao meu limite, e não aguento mais, desisti, e preciso do teu abraço, preciso de ti.
Beijos,
Gui

terça-feira, 12 de maio de 2015

Carta para Alguém que gostava que me perdoasse


Avó,
Nunca me o disse, mas eu senti-o. Senti que de há uns tempos para cá não me fala da mesma maneira, não me olha da mesma maneira... não age comigo da mesma maneira.
Depois de algumas conversas que tivemos, ou melhor, que a avó teve comigo, senti que estava triste, desapontada, desiludida... talvez porque sempre fui "a sua menina" apesar dos outros 8 netos, talvez porque sempre fui "a netinha perfeita", o exemplo, a que tirava grandes notas, a que se matava a estudar, a que adorava ir aí para casa, a que não dava respostas tortas, a que se vestia clássico, a que não faltava às aulas, a que de bom grado fazia o que lhe pediam... mas bem, as coisas mudam... e avida prega-nos partidas, e nós mudamos, a vida muda-nos.
Sei que não entende, nem nunca irá entender... sei que para si sou apenas uma miúda de 15 anos que nem sabe o que é a vida. Mas será que não sei mesmo?!? Talvez saiba mais do que imagina, e menos do que penso... mas talvez saiba.
Nunca lhe disse... nunca desabafei consigo... mas acho que nunca o fiz com ninguém, ou pelo menos com ninguém da família. Não com a mãe, não com o pai, não com a avó, com as tias, tios ou primos... e com os amigos também não. Nunca fui de me queixar, de falar da minha vida. Sempre fui mais do tipo "não é nada, isto vai passar", mas sabe, não passou, e ao fim de uns anos assim, eu não aguentei mais.
Não aguentei mais e aconteceu o que aconteceu. Deixei de me preocupar com as notas, deixei de estudar, deixei de querer ir à escola, comecei a faltar às aulas, a querer sair com as minhas amigas nas férias, a vestir-me como eu queria, a pintar as unhas das cores que eu queria, a dizer o que eu pensava, a não obedecer ao que me diziam só por serem "adultos"... comecei a ser eu e não me preocupar com o velho conceito de mim que tinham.
Libertei-me, e sabe que mais? Nunca me senti tão bem... nunca me senti tão livre. E peço-lhe desculpa, mas nem culpada me consigo sentir... espero que um dia me entenda, espero que um dia me perdoe.
Margarida

terça-feira, 21 de abril de 2015

Carta para alguém de quem me Afastei


Diogo (não é o meu Diogo, é um outro),
Daqui a uma semana faz um ano que desisti. Sabes, simplesmente cansei-me. Cansei-me de sentir que era eu a única a querer. Cansei-me de sentir que para ti era só mais uma. Cansei-me de sentir que já estavas farto. Cansei-me de sentir que era um favor que me fazias seres meu amigo.
Desisti no dia do meu aniversário. Desisti no dia em que não quiseste ir almoçar comigo e com os meus amigos. No dia em que não te quiseste encontrar comigo (sabendo eu que era apenas falta de vontade, porque tempo não te faltava), no dia em que me pareceste aliviada por eu dizer que desistia.
E desisti mesmo.
E sabes? Não me arrependo nem um segundo. Porque depois de todos os sacrifícios que fiz por ti, depois de tudo o que me pediste que te ajudasse... e eu cega de amizade, fazia... e no fim sentia sempre a mesma angústia. Sentia-me usada e sem valor.
E acho que mereço sentir mais que isso. Acho que mereço um amigo de verdade.
Mas fui tola por achar que as amizades duravam para sempre. Não duram. Nada dura para sempre.
Ainda assim... sinto saudades. Saudades dos passeios à pressa que tínhamos nos teus intervalos de aulas, a olhar constantemente para o relógio. Saudades de quando ainda me levavas à explicação. Saudades de quando ainda discutíamos as últimas novidades cusquices juntos. Saudades de quando me pedias que desse a minha opinião sobre os teus desenhos. Saudades de quando me contavas das tuas discussões com o Bruno (irmão gémeo) e eu me ria, e depois vos dava o típico aconselhamento "conjugal". E depois íamos lanchar juntos os três aquelas tostas gigantes... Enfim, saudades da nossa amizade meio estranha, meio secreta.
Mas acima de tudo saudades dos teus abraços apertados. Não daqueles abraços de circunstância que me dás agora das raras vezes que me encontras na rua e vais com a tua mãe, caso contrário nem me falas...
Ainda gostava de conseguir entender o que te fiz. Juro que sim. Não entendo.
Mas nada dura para sempre, e nós não fomos exceção...
Ainda te lembras do meu aniversário? Eu lembro-me dos marcadores que me fizeste aos 8 anos, do caderno com desenhos aos 9, dos cromos dourados aos 10, do postal aos 11, da margarida aos 12, da rosa aos 13, e da desilusão aos 14... e sei que me irei lembrar que me vais esquecer daqui a uma semana, aos 15...
Margarida

terça-feira, 14 de abril de 2015

Carta para a Pessoa mais Amigável que Conheci por um Dia


Rafael,
Foi apenas um dia. Aquele dia. Nem um dia. Uma tarde. Penso que me ri como nunca sentada naquela mesa.Os dois a olhar um para o outro... enquanto os demais gozavam connosco. Agora que penso bem, já nem sei se me ria se me engasgava com cada coisa que diziam. Prefiro pensar que me ria. Nessa altura não tinhas namorada. Sei-o porque eles (teus pais e primos) passaram todo o almoço a "fazer-nos o casamento". E porque no fim lá ganhei coragem para te pedir o número de telemóvel. Agora que penso nisso acho que não estava em mim. Já tinha bebido... já passava das 2h da manhã. decididamente já não estava bem em mim... não podia. Mas bem, ainda trocámos algumas mensagens, ainda tentámos encontrar-nos, mas aconteceu algo. Talvez não fosse para acontecer. Talvez nunca te volte a ver... o que até parece estúpido à primeira vista... Afinal vou frequentemente a casa da tua prima, e segundo ela, já várias vezes não nos encontramos por segundos... mas afinal, se durante todos os nossos 13 anos não nos encontrámos... porque razão isso aconteceria?!? A menos que algum dos teus primos ainda case... O que ambos sabemos que é tão provável como o sol ser roubado... Já passou um ano e meio... nunca mais te vi. Há um ano que deixámos de falar... Mas talvez seja melhor assim... lembramos aquilo que fomos naquele dia... o que fomos sem o sermos, o que cada um de nós foi sem o ser. O que fizemos sem ninguém saber... e que assim permanecerá, secreto, e nosso.
Margarida
PS deixei de fazer as cartas por ordem

sexta-feira, 13 de março de 2015

Carta para a Pessoa que mais Odeio

Diogo,
O que sinto por ti certamente não é ódio. E dificilmente algum dia será, mas não encontrei mais ninguém a quem escrever esta carta. A verdade é que te tenho uma raiva tamanha... porquê? Nem sei bem. Talvez porque, apesar de tudo, alcançaste tudo o que te achava impossível... talvez porque és feliz, tens namorada, dás-te bem na tua turma, não és gozado, ignoras o que os outros pensam, sais-te bem na viola (mas isso é discutível...porque ambos sabemos que a viola nem é bem um instrumento ahah), sentes-te bem contigo mesmo, tens confiança, confias, dás-te bem com "as gentes", conseguiste resolver os teus problemas, e agora estás bem.
E de tão bem que estás descobriste o óbvio. Entendeste aquilo que eu já te tinha dito, aquilo que já todos tinham visto mas teimavas em tapar... Viste que eu não valho a pena, e seguiste o meu conselho, Afastaste-te. Fizeste bem. Eu já te o tinha dito.
Mas foi assim tão aviso... Foi assim tão de repente, depois de já me teres dito que ficavas. Depois de confiar em ti. Deixaste que me apaixonasse, tola! Depois de me teres prometido que não me deixavas... Talvez eu o tenha merecido. Por todas vezes em que te mandei embora sem uma explicação, por todas as vezes em que aturaste o meu mau humor, por todas as vezes em que te magoei... mas não foste o único. Também me magoaste, também me disseste coisas que apesar de verdade ninguém quer ouvir, também me atiraste à cara tudo o que de mal eu tinha feito, também usaste os meus segredos contra mim... mas ainda assim apaixonei-me...
E tu também. Só que eu não o admiti. Não o quis admitir. Preferi ignorar aquilo que sentia simplesmente porque era mais fácil. Era mais fácil deixar as coisas como estavam. Deixei que o meu medo pelo desconhecido me dominasse. Afastei-te. Disse-te coisas que não senti. E mesmo assim quiseste ficar...
E agora, assim de repente, foste-te embora. Trocaste-me, assim sem aviso. Simplesmente deixámos de falar por uns dias e quando dei por ti tinhas namorada e eu era a única que nem sabia... E só espero que sejas feliz.
Beijos,
Margarida

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Carta para a pessoa falecida com quem eu gostaria de falar

Sr Manuel,

Sabe, foi um prazer conhece-lo. Foi um prazer ter-me cruzado consigo neste caminho a que chamamos vida. Foram uns breves 14 anos e 5 meses... quase toda a minha vida, mas ainda assim, passou num instante. Sei que neste momento responderia "Oh Guigui, deixa-te dessas coisas..." mas não sei, acho que há coisas que têm que ser ditas, ou escritas neste caso. A verdade é que de entre todas as pessoas que já partiram a sua partida é provavelmente aquela que mais me custou. Apesar de não me ser nada, era avô dos meus primos, e acho que ao longo dos anos se foi tornando um pouco também meu avô. Sabe, como aquele que nunca tive e sei que nunca hei de ter. Daqueles que brincam connosco, que nos ensinam anedotas e adivinhas, que contam histórias, que assistem ás nossas falhadas tentativas de fazer magia, aos circos improvisados no jardim, ou que dava opinião sobre as pulseiras que fazíamos. Partiu cedo de mais, é a conclusão a que penso quando me lembro de que já não está entre nós. Aos poucos foi consumido pelo cancro. Nem a guerra em que combateu o derrotou, mas foi a menos esperada e violenta batalha que levou a melhor. O cancro venceu-o naquela noite em que disse "Com o tempo que passou não era suposto ainda estar neste estado." e foi também nessa noite que se despediu da sua mulher, porque sabia que a sua hora tinha chegado... há uns dias estive em casa dos tios, e não posso negar que fez imensa falta na festa. A sua assídua presença no sofá para dizer, quando eu chegasse "Olá Guigui, estás muito bonita hoje..." para me dar dois beijinhos e me dizer que já estou uma senhorinha... que o Guéu está no quarto e os miúdos a jogar á bola ou playstation. Fez tanta falta... e ainda mais falta fez quando, no baptizado do Dinis o tio lembrou "Todos os quadros na casa foram pintados pelo meu sogro." para os desconhecedores. E foi impossível as lágrimas não me virem aos olhos quando vi, na parede do quarto do Manel, o seu último quadro. Aquele que nos lembra de que partiu sem aviso. Aquele que grita "Ele morreu!" aquele que não foi acabado. Não tem assinatura. Não tem os pormenores. E grita tão alto... Só queria que soubesse. Que soubesse que significa para mim, tão mais do que aquilo que sabe... Obrigada.
Um Beijo,
Guigui

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Carta para Alguém que não falo tanto quanto gostaria


Alberto Luís,

Quando estou contigo há sempre aquela sensação de segurança e felicidade dentro de mim. Sei que te posso contar tudo e confiar que não me vais desiludir. Sei que és um amigo verdadeiro... Também sei que, se há alguém que detém o meu coração, esse alguém és tu, mas é mais fácil ignorar, fingir que é mentira, porque são 300 Km. 360 Km mais precisamente, que nos separam 12 meses por ano. Gosto de falar contigo, de ouvir música... dos teus abraços, as nossas fotos malucas... Quando nos queixamos das nossas irmãs enquanto comemos gelado e fingimos que vemos um filme qualquer... Quando discutimos os videoclips pornográficos da Nicky Minaj e depois começamos a cantar feitos malucos... mas são 360 Km... e quanto a eles nada há a fazer. És capaz de ser a pessoa que melhor me conhece passando o mínimo tempo comigo. E agora que penso em certas conversas que já tivemos... só me dá vontade de rir. E isto tudo só para dizer que sinto a tua falta, e que sinto a falta das nossas conversas, mas que é a vida, e ela continua, com ou sem as nossas conversas.
Beijos,
Margarida

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Carta para alguém que eu gostaria de conhecer


Avô Runa,

Desde pequena que me lembro de os meus amigos falarem dos avôs com grande admiração. Lembro-me de contarem as vossas idas ao parque, de verem TV juntos, da maneira como os avôs cortam as laranjas e até das novas cores que tinham aprendido. Na altura nem dava por isso, porque eu tinha o avô que mandava não sei quantas caixas de gelados no dia da criança para a escola, mas nunca cheguei bem a conhecer o homem a quem chamo de avô. Nem nunca o chamei pelo primeiro nome, ou alcunha. É o Avô Runa, sempre pelo apelido. Agora que olho para trás, não tenho momentos como aqueles que a maior parte das pessoas da minha geração tem com os avôs. Acho que não o conheço, e o avô não me conhece. Usa a avó sempre como desculpa para tudo. Nunca entrou na minha casa, nem na de qualquer um dos seus outros filhos e netos. Apenas foi aos casamentos. Batizados, Comunhões, Profissões de Fé, apenas na igreja. No momento em que saiu de casa deixando para trás uma mulher e 4 filhos, há já mais de 25 anos, deixou também para trás a vida dos que se seguiriam. E sabe, custa-me  facto de saber o aniversário e ir partir o bolo a casa dos seus "outros netos", aqueles que nem sequer são seus mas a quem nunca esquece do aniversário ou da prenda... E sabe, eu nem queria saber da prenda para nada, apenas gostava de receber um telefonema seu no meu aniversário... Há uns dias encontrei em casa da avó a carta que lhe escreveu no dia em que deixou aquela casa, em que saiu para nunca mais entrar. Desta família, pouco sei, há coisas que não se transmitem entre gerações, pelo simples facto de que todos acham que é demasiado triste e que eu sou demasiado nova para recordar. Tenho-me empenhado bastante para tentar entender aquela letra... pode ser que através dela consiga, talvez, entender o que se passou, e conhecê-lo a si também um pouco porque de si, apenas sei o nome e a idade, porque do resto, ninguém quer falar...
Beijos,
Margarida

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Carta para o meu Melhor Amigo Virtual

  
A todas estas princesas...,

Não posso dizer que tenha um melhor amigo virtual específico. Tenho vários amigos virtuais de quem gosto bastante... Alguns já há uns anos, que conheci através do facebook. Outros bastante mais recentes, membros da Blogosfera, gente que tenho conhecido "por aí" e da qual gosto bastante. Podia começar agora a enumerar gente como a Abby, a Amy, a Rosie, a Kaya†, a Ana... entre outras pessoas, é para todas vocês que escrevo hoje. Muito obrigada por fazerem parte da minha vida assim desta maneira disfarçada, que pode parecer insignificante mas acreditem, não é. Adoro navegar pelos vossos Blogs e rir-me com aqueles episódios que contam, e que eu também os tenho nos meus dias, preocupar-me também com os vossos problemas, e sorrir também com as vossas alegrias. Adoro quando falo com algumas de vocês por mail, ou comentários perdidos... Talvez seja lamechas... talvez vocês signifiquem mais para mim que eu para vocês por eu ser um pouquinho muito anti-social, mas não faz mal. *Mais alguém está com a sensação de que isto está a ficar uma merda para além de mim?* Enfim... acho que hoje não estou num bom dia para escrever...
Beijos,
Margarida

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Carta para os meus Pais




Mãe e Pai,


Há tanta coisa por dizer, e tão poucas palavras que me pareçam adequadas. Lembro-me de nos piores momentos passar noites em branco a pensar no que vos iria dizer da próxima vez que discutisse com vocês. Houve momentos em que vos odiei tanto... nunca saberão o quanto. Se que não sou a filha perfeita. Nunca fui e nem nunca serei, embora por vezes pareça que gostavam mais de mim enquanto pequena, filha única, sem dar problemas, a melhor aluna na escola... agora nem tanto. Por vezes tenho saudades desses tempos, e entristece-me pensar no quanto a coisas mudaram desde esses tempos. O quanto eu mudei... entristece-me pensar que vos desiludi, que não sou a filha que vocês desejavam, que parece que só faço porcaria, quando vos respondo mal... mas há coisas que me irritam tão profundamente... nem sabem. Parece que ainda me tratam como uma criancinha, eu tenho 14 anos, não me podem continuar a tratar como se tivesse 10 anos. Sei que só me querem proteger mas, não me podem proteger para sempre e, se eu não descobrir a vida agora, enquanto vocês ainda aqui estão para amparar as quedas, quando é que eu o vou fazer? Não preciso que me deixem fazer tudo o que eu quero, longe disso, mas sejamos francos, qual é o problema de me deixarem ir ao cinema com os meus amigos? Qual é o problema de me deixares participar nas coisas da igreja, pai? Sei que és contra a religião mas eu acredito e devia respeitar isso, além disso, sei ir e voltar sozinha, lá tenho a maior parte (que não são muitos) dos meus amigos, sinto-me bem lá, por vezes, até melhor que em casa... porque não respeitas isso? Porque não posso ir à praia com os meus amigos, mãe? Será que não entendes que tenho juízo e que as praias são vigiadas, e que não vou com uns loucos quaisquer. Sei que os vossos pais eram mais severos convosco mas sejamos realistas, os tempos mudaram. Porque é que têm sempre a mania de que eu vos estou sempre a esconder algo ou a mentir mesmo quando falo verdade? Porque é que têm que andar sempre a vasculhar nas minhas coisas à procura de coisas que não existem? Querem que eu vos respeite, mas e onde é que está o vosso respeito por mim? Porque acham sempre que tudo o que faço é para chamar a atenção? Porque é que acham que tudo o que faço tem sempre segundas intenções? Porque é que nunca me elogiam as boas notas? Porque é que nunca vêm os vários 5 na pauta, e aquele pequenino 3 ao canto vos parece sempre tão grande? Porque é que nunca faço nada direito? E quando faço nunca o dizem? Porque é que parece que sou uma enorme desilusão? Entristece-me o facto de neste momento não conseguir dizer que vos amo, apesar de ser verdade, de não conseguir dizer que são uns pais maravilhosos, que peço desculpa por tudo o que fiz de mal (que apenas farei depois de vocês o fazerem também) e por não exaltar nesta carta o quanto gosto de vocês... Mas acima de tudo, o que entristece mais, é o facto de saber que esta carta apenas é o que é, e diz  que diz, porque sei que nunca a vão ler, porque sei que há coisas que nunca terei coragem de vos dizer...
Beijos,
Margarida

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Carta para um Estranho


Exmo Sr Desconhecido,

Penso que nunca tive tanta dificuldade em escrever algo... talvez seja porque um estranho, é um estranho, alguém que não conheço, alguém que nem sei quem é, um estranho. Ou então é mesmo de mim, talvez seja do dia, talvez seja do momento, do tempo lá fora, ou simplesmente por não saber aquilo que estou verdadeiramente a escrever... mas pensando bem... sempre me ensinaram a não falar com estranhos... por vezes pergunto-me porquê, depois a óbvia resposta salta à vista. Enfim, é a vida.
Um beijo,
Uma Estranha
porque não se diz o nome a estranhos

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Carta para os meus Sonhos


Sonhar... Sonhos... Há quem ache que sonhar faz mal. Discordo em absoluto. Acho que sonhar é essencial. Sejamos realistas, se as pessoas não tiverem um sonho, um objetivo que seja, nunca vão fazer nada, nunca hão de ter motivação para sair da cama pela manhã e ir trabalhar, estudar... fazer algo pela vida. Admito, tenho sonhos que sei que nunca irei realizar, e não vou começar com a desculpa que toda a gente dá "Há sonhos impossíveis de realizar" mentira. Todos os sonhos são possíveis de ser realizados, mas há que trabalhar, há que lutar e não desistir. Há aquelas pessoas que dizem que gostavam de ser cantores, dançarinos, pintores... mas não trabalham para isso. Não podes ficar sentado no sofá à espera que o teu sonho te bata à porta e se torne realidade... isso não acontece, e eu sei que há sonhos que eu nunca irei realizar, pelo facto de que simplesmente não estou disposta a trabalhar e lutar por eles. Há coisas das quais não estou disposta a abdicar, não estou disposta a enfrentar os meus pais, não estou disposta a dar o braço a torcer, em alguns casos, não tenho coragem... enfim, há sonhos que nunca vão passar disso, apenas sonhos. Mas há outros que, pelo contrário, os quero mesmo... por exemplo, tirar carta de mota, tirar medicina no Porto, viajar, constituir família, conseguir um bom emprego, mesmo que para isso seja necessário emigrar... há coisas das quais nunca hei de desistir... e sei que para vencer, terei de abdicar de algumas coisas... mas acredito que estou preparada para isso, e acredito também que não vou desistir, porque tenho coragem e vontade suficientes para superar as dificuldades e alcançar aquilo que mais quero.
Um beijo,
Margarida

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Carta para a minha Irmã

     
Maria Inês,

És uma chata. Uma chata mesmo. És teimosa. És bastante mimada. Por vezes fico sem paciência para te aturar. Mas não consigo imaginar a minha vida sem ti. E tenho que admitir que se és chata, é porque tiveste que aprender com alguém, eu. És mesmo muito teimosa, mas já viste um teimoso a teimar sozinho? És mimada, mas isso é porque tem que haver alguém para te mimar. E podes dar-me cabo da paciência, mas também, para que é que eu precisava dela se não para te aturar a ti? Sei que não sou a melhor irmã do mundo, longe disso, mas podes ter a certeza que te adoro muito e, no que depender de mim, vou cá estar sempre para ti, mesmo quando não estiver. Sei que a diferença são 6 anos... é muito tempo, eu já estou naquela fase em que o que mais quero é sair de casa e tu naquela em que quando fores grande queres ser como a mãe... enfim, fases, garanto-te que essa também te vai passar. Embora estejamos na mesma casa, sei que não vivemos no mesmo mundo. Eu vivo no meu, coberto por uma poeira de incerteza e inseguranças, e tu vives no teu, um onde é tudo brilhante e divertido, onde o maior dos teus problemas é ver os episódios da Violetta. Sinto que não comunicamos e que a cada dia que passa nos afastamos mais. Há quanto tempo já não temos uma conversa normal? Daquelas em que me falas como vai a tua escola, com quem te chateaste esta semana e quem é o rapazinho com quem aparentemente namoras, mas que é segredo porque a mãe não quer? Tenho dificuldade em lembrar-me... talvez pelo facto de ultimamente apenas discutirmos. Admito, ando insuportável. Mas espero que nunca te esqueças de mim, aconteça o que acontecer.
Beijos,
Margarida

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Carta para o meu Ex-Namorado


Pedro,

Por vezes ponho-me a pensar... O que é que nós fomos mesmo? Namorados não deve ter sido... Acho que foi apenas o nome que lhe demos. Na realidade éramos apenas amigos, amigos que se encontravam a cada intervalo, que trocaram prendas no dia dos namorados... por vezes ponho-me a pensar e acho que fomos um grande erro, até agora, talvez um dos maiores que já cometi, no entanto, se me dessem a opção de voltar atrás e fazer as coisas diferente, não mudaria nada. Mesmo sabendo que nunca gostaste de mim, que eu nunca gostei de ti. Aliás, ambos o sabíamos, apenas nos enganávamos um ao outro, para nos enganarmos a nós mesmos. E perguntas-te porque é que eu não mudaria nada? Porque pode ter sido um dos meus maiores erros, e foi também uma das melhores lições que alguma vez aprendi... reforcei a minha ideia de que o amor não existe, aprendo que ter uma relação com alguém da escola é algo completamente irritante, porque sendo realista, toda a gente me disse como é que eu devia agir, o que é que era suposto fazer, como é que achavam que as coisas deveriam ser e não foram... Sinceramente, uma das melhores coisas que alguma vez fiz foi acabar contigo, sem ofensa, mas sufocavas-me. Ou então era eu que não estava habituada à ideia de combinar coisas com alguém, de passar tempo acompanhada... Gosto da minha liberdade. Gosto de ser prisioneira de mim mesma, de não ter encontros, não prestar contas a ninguém, passar tempo sozinha, sem ninguém à minha espera, e ter sempre 1001 coisas planeadas para fazer sozinha, para pensar, para idealizar, para realizar... Fiquei feliz quando duas semanas depois vieste falar comigo e esclarecemos que estava tudo bem, e continuámos amigos. Gosto do facto de nos darmos bem e de falarmos normalmente, de o assunto de termos namorados não ser falado e sobretudo, gosto do facto, de nunca ter gostado realmente de ti. Fria? talvez. Insensível? quase de certeza. Mas também é isso que me protege dos outros e de mim mesma. Obrigada por seres como és, e de permitires que as coisas sejam como são... e é assim... já vai fazer 2 anos no dia 8 de fevereiro...
Beijos,
Margarida

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Carta para a minha Melhor Amiga




Salomé,

Nem sei por onde começar... Eu sei que normalmente se começa pelo princípio mas... desde quando é que a nossa amizade é normal?!? Nem sei se alguma vez te disse que és a minha melhor amiga, talvez porque nunca houve necessidade, ou simplesmente porque acho que tu o sabes. Sabes que te adoro, e a verdade é que já não imagino o meu Verão sem ti. Não me lembro de alguma vez ter discutido contigo, e tu já me disseste o mesmo. Chegámos à conclusão de que nunca discutimos, lembras-te? Adoro as nossas conversas na praia, quando o sol se começa a esconder por detrás da serra. Adoro as nossas corridas contra a corrente em direção às cordas. Adoro quando começas a falar como os minions. Adoro quando tentamos pôr o papagaio a voar, mesmo quando não há vento. Adoro quando subimos às árvores no parque e ficamos a ver quem chega mais alto, Adoro quando infernizamos a vida aos nossos irmãos com o "casamento". Mas acima de tudo adoro o dia em que chegas no início de Julho, e odeio o dia em que me despeço de ti, para apenas te tornar a ver no próximo ano. Quando começas a resmungar porque em Portugal o tempo é ótimo e ainda está super quentinho quando te vais embora e chegas a França já com o tempo geladinho... E admiro o facto de ainda não teres desistido de me pôr a falar Francês, mesmo sabendo que eu detesto e que não adianta de nada. Mas acima de tudo, o que admiro mesmo é a tua persistência, a tua positividade, otimismo, força de vontade, a tua capacidade de acreditar nos teus sonhos... a capacidade de ainda não teres desistido de mim... Porque apesar de tudo, cada vez tenho mais receio que um ano tu não venhas, porque sei que mais tarde ou mais cedo isso vai acontecer, é inevitável... mas enquanto isso não acontece, vou contando os dias que faltam para a tua chegada, vivendo um verão de cada vez.
Beijos,
Margarida

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Carta para a minha Paixão



Já várias vezes me perguntaram se alguma vez me apaixonara, e por várias vezes respondi que sim. "Por quem?" é a pergunta que vem sempre a seguir. "Por ninguém" respondo naturalmente. Todos mostram a mesma cara de admiração e confusão após a minha resposta. Normalmente não explico mais nada. Também nunca me perguntaram QUAL era a minha paixão, para eu poder responder que a minha paixão eras tu... que foi em casa, entre o abrir e o fechar da escrivaninha que te achei, que te descobri, que me descobri, que me apaixonei. Não pude explicar que não me apaixonei por uma pessoa, que me apaixonei por mim mesma, pelas minhas palavras no papel, os meus pensamentos, os meus sentimentos, apaixonei-me a escrever, apaixonei-me pela escrita... E pronto, ninguém me consegue entender, ninguém consegue compreender, mas não faz mal, porque eu estou completamente apaixonada e sei que apesar de tudo, este é, e sempre será, o amor mais seguro que alguma vez terei. E não me arrependo, nem um bocadinho, do tempo que passo a escrever, as horas voam, e o tempo não chega, mas eu estou apaixonada, e estou bem. Estou feliz.
Beijos,
Margarida

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Desafio das 30 Cartas



Não é nada de novo e é algo que penso que já toda a gente conhece, mas ainda assim, eu explico. Este desafio consiste em ir escrevendo um conjunto de cartas, 30 no total, para certas pessoas. Já tinha visto este desafio em diversos blogs, nomeadamente no Blog A Vida de uma Chica, e há já algum tempo que andava a ponderar participar, no entanto nunca ganhei a coragem... Mas agora, e antes que me arrependa, decidi participar.

Então as 30 Cartas são a: *clica sobre as cartas riscadas para as veres*
- Carta para a pessoa da qual tens saudades
- Carta para alguém que não está na tua cidade ou país
- Carta para alguém da tua infância
- Carta para a pessoa que tu gostavas de ser
- Carta para alguém que te importunou a cabeça (bom ou mau)
- Carta para alguém que julgaste à primeira impressão
- Carta para alguém a quem queres dar uma segunda oportunidade
- Carta para a última pessoa que beijaste
- Carta para a pessoa que te deu a tua melhor memória
- Carta para a pessoa que sabes que estará lá nos tempos mais difíceis
- Carta para a primeira pessoa a quem fizeste uma promessa
- Carta para alguém que mudou a tua vida
- Carta para o reflexo do espelho.
Beijos,
Margarida